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Revolucionárias: médicos explicam por que ‘canetas emagrecedoras’ mudaram o combate à obesidade

  • Foto do escritor: Fabio Sanches
    Fabio Sanches
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura
Mulher aplicando medicamento. (Foto: Banco de Imagens Freepik)
Mulher aplicando medicamento. (Foto: Banco de Imagens Freepik)

Além do emagrecimento, essas canetas interferem positivamente nas estruturas neurais responsáveis pelo sistema de recompensa


As ‘canetinhas emagrecedoras’ mudaram a história da luta contra a obesidade, uma doença que não ocorre apenas pelo consumo de excesso de calorias, mas é resultado de vários fatores, desde emocionais, sociais e mesmo econômicos; até distúrbios hormonais e outros quadros fisiológicos.


Mas, afinal de contas, por que esses novos medicamentos, como o Ozempic, o Wegovy e o Mounjaro, são tão revolucionários?

O Jornal Midiamax conversou com dois profissionais da Medicina para entender isso. Segundo o médico Geison Prado Ventura, especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), essas medicações são revolucionárias não apenas porque geram perda de peso, mas também porque são capazes de promover um controle glicêmico muito favorável.


“Mas os benefícios dessas medicações vão muito além disso. Os estudos comprovaram benefícios, por exemplo, como redução de gordura visceral, redução de gordura no fígado, redução do risco de fibrose, de cirrose do fígado, melhora de marcadores inflamatórios, proteção renal nos pacientes diabéticos, redução do risco de infarto, de AVC (acidente vascular cerebral) e também de mortalidade cardiovascular”, detalha o especialista.

Ou seja, além de proporcionar considerável perda de peso, o que por si já previne o surgimento de diversas doenças, esses medicamentos podem gerar melhora em outras áreas da vida, como reduzir a vontade de consumos compulsivos, como a ingestão de álcool e vontade de fumar, já que interferem positivamente nas estruturas neurais responsáveis pelo sistema de recompensa, além de favorecer o equilíbrio metabólico como um todo.


Apesar desses benefícios tão amplos, o uso desses medicamentos sem acompanhamento médico detalhado pode acarretar muitos prejuízos à saúde. Geison explica quais são os efeitos colaterais já esperados, mas alerta para sinais que indicam uso inadequado desses recursos.


“Os efeitos colaterais mais comumente encontrados em quem faz o uso dessas medicações são os efeitos gastrointestinais, tais como náuseas, sensação de estufamento, vômitos, diarreia, constipação, que tendem a melhorar com o tempo e com o ajuste gradual e adequado das doses dessas medicações”, pontua o endocrinologista.

Perigos de que ‘ninguém’ fala

“No entanto, o uso inadvertido dessas medicações, com doses inadequadas, sem indicação, sem orientação e acompanhamento médico, podem ocasionar efeitos colaterais graves, como desidratação, distúrbios hidroeletrolíticos, piora na função dos rins, perda expressiva de massa muscular, perda de densidade mineral óssea e até mesmo osteoporose”, completa o especialista.

Desidratação e desequilíbrios eletrolíticos significam alteração nos níveis de água e sais minerais no corpo, que são fundamentais não apenas para o devido funcionamento dos músculos, mas também do coração e do cérebro.


O médico Henrique Coelho, mestre e doutor em Medicina Regenerativa, pontua também que o uso das ‘canetinhas emagrecedoras’ está atrelado à perda de massa magra, que é tudo que não é gordura, ou seja, músculos, ossos, órgãos, pele e água.


“A pessoa acha que perdeu peso e imagina que perdeu apenas gordura, mas a grande verdade é que, se você não faz a dieta correta, não faz atividade física, não corrige os fatores [que levam à obesidade], você acaba perdendo massa muscular”, afirma.

“O que isso vai resultar, então? A pessoa acaba ficando fraca, indisposta, tem dificuldade de manter uma atividade física. E isso, em uma pessoa que já tem pouco músculo, é muito ruim, acaba resultando em mais incapacidade, o que pode gerar, sim, sobrecarga de outros órgãos”, esclarece o médico.

Perigo na mesa de cirurgia

Ele conta que já sofreu com a obesidade, e foi a mudança de hábitos e da sua relação com a comida, bem como a constância na prática de atividades físicas, que possibilitaram a ele a manutenção da perda de peso.


Mas os cuidados com o uso desses emagrecedores vão além. Dr. Henrique esclarece que a automedicação, ou o uso de doses altas, pode acarretar outros riscos. 


“Uma situação que a gente vê em centros cirúrgicos, os anestesistas têm muito medo, porque, quando se usam as canetinhas, aumenta o refluxo, a chance de náusea e de vômito, o que pode levar à broncoaspiração”, alerta.

“Muitos pacientes vão para uma cirurgia, mesmo de emergência, muitas vezes fazendo uso desses medicamentos de qualquer maneira e, durante a cirurgia, existe um risco maior de vomitar e de aspirar o conteúdo alimentar. Então, hoje, isso é uma preocupação muito grande quando você vai fazer uma cirurgia em um paciente”, acrescenta o médico, que também é cirurgião-geral. 

Por isso, conforme ele explica, há situações em que se recomenda a suspensão por 21 dias do uso do medicamento (como da tirzepatida, o Mounjaro), caso o paciente precise passar por um tratamento cirúrgico, devido ao risco de aspiração de vômito.


Medicamento do Paraguai é mesmo ruim?

Mas e os riscos clínicos do uso de medicamento vindo da fronteira? Os especialistas também comentam essa realidade. 


O endocrinologista Geison Prado detalha que “toda a medicação aprovada no Brasil e no mundo para tratamento de diabetes e obesidade passa por estudos que duram anos, exatamente para que sejam comprovadas a eficácia e a segurança dessas medicações antes da sua comercialização”.


No entanto, isso não pode ser garantido em relação a medicações manipuladas e sem certificação, o que inclui medicamentos que tiveram algum tipo de preparo fora do ambiente laboratorial, para uso.


“Portanto, o uso dessas medicações paralelas representa um risco à saúde pública, risco de intoxicação, risco de efeitos adversos imprevisíveis, no curto, médio e longo prazo, sendo, portanto, desaconselhado o uso de medicações manipuladas para tratamento de diabetes ou mesmo para tratamento da obesidade”, adverte o especialista.

Dr. Henrique complementa, pontuando que o problema não é porque vem do Paraguai, mas a impossibilidade de rastreio da origem, das condições de preparo e do armazenamento do medicamento. 


“Sabendo que há uma demanda de medicações, hormônios, de qualquer substância, existem também as pessoas mal-intencionadas que falsificam as medicações. Então, não é porque é do Paraguai, mas pela forma como entra no Brasil, por contrabando. Acaba tendo esse risco de vir um produto com a embalagem que se parece com a original, mas o conteúdo é diferente”, avalia. 

Por fim, o médico frisa que o medicamento não faz milagre. “Ela é uma doença multifatorial, é uma doença muito complexa. Se fosse fácil emagrecer, não existiriam pessoas com sobrepeso e obesidade. Então, não se trata de uma questão que se resolve apenas com medicamento”, reforça.


Geison destaca a mesma recomendação. “O uso dessas medicações, quando bem indicado, pode beneficiar muito a vida dos pacientes que convivem com diabetes e obesidade, mas o seu uso não exclui a necessidade de mudanças e internações no estilo de vida do paciente”, enfatiza.


“É necessário adotar uma reeducação alimentar, redução de bebida alcoólica, melhora da qualidade do sono, prática regular de atividade física, adequada hidratação, acompanhamento multidisciplinar com médico, nutricionista, educador físico, psicólogo, entre outros profissionais, para ajudarem um paciente nessa jornada”, finaliza.

Fonte: Midiamax


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