Tarcísio vai a Brasília e domiciliar a Bolsonaro deve entrar em pauta com o STF
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Com bom trânsito no Supremo, governador é considerado um trunfo pela defesa do ex-presidente
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), irá a Brasília na quinta-feira (19), quando se reunirá com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir uma ação que pede a paralisação da privatização da Sabesp. A procuradora-geral de São Paulo, Inês Maria dos Santos Coimbra de Almeida Prado, acompanhará o governador.
Apesar da pauta oficial, a coluna apurou que o governador deve voltar a conversar com os ministros sobre a possibilidade de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com bom trânsito no Supremo, Tarcísio é considerado por aliados como um trunfo na negociação, que também é capitaneada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo pré-candidato do PL ao Planalto, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Flávio, inclusive, se reuniu com o ministro Alexandre de Moraes no Supremo na última terça-feira (17). Na condição de advogado do pai ao lado de Paulo Cunha Bueno, ele disse que a conversa com o ministro, considerado algoz de Bolsonaro e alvo de ataques constantes da base do ex-presidente foi “bastante tranquila e objetiva”. “Ele num momento oportuno, ficou de avaliar o pedido. Não deu prazo para a decisão, tem o tempo que achar necessário”, disse.
Senador jantaria com Tarcísio na noite desta quarta-feira (18), mas o voo do governador foi adiado. Havia a expectativa que os dois discutissem a pré-campanha do grupo. Antes considerado favorito para ser o candidato da direita ao Planalto nessas eleições, o governador acabou preterido pelo primogênito do ex-presidente. A relação entre Tarcísio e os filhos do ex-chefe nunca foi boa: Flávio, Carlos e Eduardo consideram o ex-ministro “em cima do muro”. Ele, por sua vez, não concorda com as posições mais radicais defendidas pelos herdeiros de Bolsonaro.
No entanto, a estratégia de Flávio de promover a imagem suavizada de um “bolsonarismo light” para se aproximar de eleitores de centro e indecisos torna a presença de Tarcísio na campanha ainda mais importante. Leal ao ex-presidente, o governador deve dar palanque ao senador sem maiores resistências.
Prisão domiciliar
A nova carga da defesa do capitão da reserva pela prisão domiciliar foi adiantada pela coluna.
Interlocutores ouvidos pela coluna avaliam que o quadro mais delicado do capitão da reserva nesta internação, somado ao desgaste sofrido pelo Judiciário com o caso Master e o trabalho de aliados do ex-presidente nos bastidores aumentam as chances da defesa de conseguir o benefício humanitário.
Após passar mal, Bolsonaro foi levado às pressas ao hospital DF Star, onde está internado na UTI. Apesar do quadro estável, os médicos pessoais de Bolsonaro insistem que a saúde dele estaria mais resguardada em casa. A opinião não é compartilhada pelos peritos que avaliaram o ex-presidente, que dizem não haver necessidade da prisão domiciliar.
Com o período eleitoral se aproximando, no entanto, aliados de Bolsonaro acreditam que essa última internação tende a compadecer os ministros. Senão pela saúde de Bolsonaro em si, pelo medo de serem associados a uma possível deterioração do quadro de saúde de um político tão popular.
No início deste mês, o ministro Alexandre de Moraes voltou a negar o pedido da defesa do ex-presidente para que ele fosse levado à prisão domiciliar, alegando que a Papudinha não tem estrutura suficiente para os atendimentos médicos. A decisão de Moraes foi referendada pela Primeira Turma da Corte.
Em fevereiro, aliados do ex-presidente consideravam certos 5 votos de ministros do Supremo para conceder o benefício ao ex-presidente: o presidente da Corte, Edson Fachin, e os ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. A corte, que tem 11 cadeiras, só tem 10 ministros em atuação após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A coluna apurou que aliados de Bolsonaro acreditam que Dias Toffoli possa ser o voto decisivo para mandar o presidente de honra do PL para casa. Relator do caso e tido como “algoz” de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes é o mais resistente à possibilidade.
Moraes e Toffoli são exatamente os dois ministros mais arranhados pelos desdobramentos do caso Master. A coluna apurou que a estratégia de parte dos aliados do ex-presidente seria amenizar as críticas ao Judiciário caso Bolsonaro seja mandado para casa. No entanto, não houve nenhuma negociação com os ministros.
Fonte: Jovem Pan








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