Primeira cirurgia com polilaminina em MS é bem-sucedida e pode devolver movimentos a jovem militar
- Fabio Sanches

- há 6 dias
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O procedimento experimental durou cerca de 40 minutos, no Hospital Militar de Campo Grande, com participação de pesquisadores cariocas
A primeira cirurgia com polilaminina em Mato Grosso do Sul foi considerada “um sucesso” pela equipe médica. O paciente — militar de 19 anos, que ficou tetraplégico após um disparo acidental de arma de fogo há dois meses — deve receber alta amanhã (22) e realizar fisioterapias por dois anos. O tratamento é inovador e pode devolver os movimentos ao jovem militar.
A cirurgia começou às 9h30 desta quarta-feira (21), com duração de cerca de 40 minutos. “Foi um sucesso, graças a Deus”, disse o tenente Wolnei Marques Zeviani, neurocirurgião do Hospital Militar, após sair do centro cirúrgico. Ele assistiu à operação, que foi realizada pelo neurocirurgião Bruno Cortez, do hospital carioca Souza Aguiar, e pelo médico pesquisador Olavo Franco, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
A pesquisa conduzida na UFRJ há mais de 20 anos, em parceria com o Laboratório Cristália, já demonstrou resultados promissores na recuperação de pacientes com esse tipo de lesão, por meio da polilaminina, uma substância desenvolvida a partir da laminina — proteína extraída da placenta. Em dezembro, o estudo recebeu aprovação do Ministério da Saúde e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Desde então, outros doze pacientes receberam o tratamento experimental. “Todos já tiveram melhorias até surpreendentes, não imaginávamos que seria tão rápido”, explica o neurocirurgião Bruno Cortez. O militar campo-grandense de 19 anos é o 13° paciente. Ele entrou em contato com os pesquisadores cariocas e foi orientado a seguir por vias judiciais, já que não há outros tratamentos para lesões cervicais.
O sonho do primeiro passo
Por ser 19 anos, são esperados bons resultados para o militar de Campo Grande. “O paciente mais jovem sempre vai se recuperar mais rápido. Como tudo em medicina, mais jovens têm células mais elásticas”, explica Bruno Cortez, neurocirurgião.
A medicação é aplicada em dose única, dentro da medula. Ela tem efeito anti-inflamatório, o que diminui a morte dos neurônios; e cria maneiras para o religamento dos neurônios, que precisam ‘apreender o caminho’ para mandar a conexão nervosa até os membros. “Para isso, é necessário o estímulo, com uma fisioterapia específica, que estimula a regeneração do neurônio de forma efetiva”, explica o médico Olavo Franco.
Não há garantia de que o paciente vai voltar a andar, mas há alta probabilidade de — ao menos — um retorno do movimento dos membros, o qual poderá oferecer uma qualidade de vida maior para o paciente. “Em todos os casos, houve melhora. Por exemplo, uma pessoa tetraplégica que precisa de ajuda para se alimentar, mas passa a conseguir pelo menos levar o alimento à boca, já tem um ganho grande”, afirma Cortez.
Não há um prazo pra ter resultado, mas, no caso mais famoso do estudo — do bancário Bruno Drummond de Freitas, que sofreu um acidente de carro em 2018 e teve uma lesão cervical grave —, o paciente mexeu os dedos do pé após três semanas, deu um passo após sete meses e passou a caminhar após um ano e meio. Agora, Bruno tem 98% dos movimentos de volta e corre até maratonas.
Pioneirismo em MS
A proteína é injetada diretamente no tecido medular, na região lesionada. “[O procedimento] não é considerado invasivo, mas precisa de muita atenção na posição da agulha, para que seja no lugar certo, o tecido medular”, diz o neurocirurgião Wolnei Zeviani. Ele assistiu à cirurgia e, agora, seguirá acompanhando o paciente, comunicando-se com a equipe de pesquisadores cariocas.
Apenas profissionais autorizados podem fazer cirurgias com polilaminina. É necessário participar de um curso com o Laboratório Cristália, para garantir o rigor técnico dos estudos. Mesmo assim, com esse procedimento, MS sai à frente. “Estou tratando com o Dr. Bruno para fazer o treinamento oficialmente, para conseguirmos fazer mais operações assim”, diz o médico sul-mato-grossense.
“É um marco e eu espero que a gente tenha a possibilidade de fazer esse tratamento em outros casos”, afirma Zeviani. Este foi o primeiro procedimento do tipo realizado no Estado, e o tratamento é considerado inovador internacionalmente. O Brasil pode ter descoberto a cura para tetraplégicos e paraplégicos.
Fonte: Midiamax











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