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O Impacto Invisível: Sequelas da Chikungunya podem atingir 3,7 mil pessoas em Mato Grosso do Sul

  • há 20 horas
  • 2 min de leitura
Hospital de campanha foi montado em quadra de escola indígena para atender casos confirmados de chikungunya. (Reprodução, Prefeitura de Dourados)
Hospital de campanha foi montado em quadra de escola indígena para atender casos confirmados de chikungunya. (Reprodução, Prefeitura de Dourados)

Especialistas alertam que, após epidemia com mais de 12 mil casos prováveis no Estado em 2026, pacientes sofrem com dores crônicas e limitações funcionais, mas continuam fora do monitoramento estatístico oficial.


Enquanto os boletins epidemiológicos focam nos picos de transmissão aguda, uma "segunda onda" silenciosa desafia a rede de saúde em Mato Grosso do Sul. Estimativas apontam que cerca de 3,7 mil sul-mato-grossenses podem conviver com sequelas de longo prazo deixadas pela epidemia de chikungunya, que registrou 12,6 mil casos prováveis e 30 óbitos no Estado em 2026. No entanto, esses pacientes permanecem fora do radar das estatísticas oficiais de acompanhamento contínuo.


As Fases da Doença e os Impactos no Dia a Dia

A chikungunya desenvolve-se em três etapas principais:

  • Fase Aguda: Dura de 5 a 14 dias, marcada por febre alta e dores articulares iniciais.

  • Fase Pós-Aguda: Estende-se de 15 dias a três meses após o início dos sintomas.

  • Fase Crônica: Atinge de 30% a 40% dos pacientes, quando os sintomas persistem por meses ou anos.


A doença provoca dores intensas, rigidez matinal, inchaço e fraqueza em articulações como mãos, punhos, joelhos, tornozelos e pés. Essas manifestações geram incapacidades funcionais que comprometem desde atividades básicas até a rotina profissional de trabalhadores da construção civil, serviços manuais e tarefas domésticas.


Lacunas nos Dados Oficiais e Afastamentos

Apesar da alta incidência de casos, órgãos públicos reconhecem a falta de consolidação de dados sobre a demanda assistencial prolongada:

  • Saúde Estadual: A SES-MS informou que a vigilância não dispõe de dados consolidados específicos sobre o número exato de pacientes atualmente sintomáticos nas fases crônicas ou filas de espera para especialidades como fisioterapia e reabilitação.

  • Trabalho e Previdência: Tanto o Ministério da Previdência Social quanto o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest-MS) indicam que os dados de afastamento de 2026 não estão consolidados. Contudo, dados anteriores demonstram um salto expressivo: o INSS concedeu benefícios por incapacidade temporária relacionados à chikungunya a 3 sul-mato-grossenses em 2024, número que subiu para 31 em 2025.


Dourados como Epicentro da Epidemia

O município de Dourados concentra grande parte do impacto estadual, reunindo 41% dos casos prováveis (cerca de 5,2 mil registros) e 60% das mortes por chikungunya em 2026 (18 óbitos). A Reserva Indígena local foi o principal foco inicial do surto, agravado por vulnerabilidades como escassez de água e falta de informação preventiva.


Desafios para a Assistência e Reabilitação

Para a médica infectologista Andyane Tetila, do HU-UFGD, o encerramento do período epidêmico não significa o fim dos problemas. Segundo a especialista, é urgente estruturar uma linha de cuidado que articule:

  • Capacitação das equipes de Atenção Primária para o manejo das fases pós-agudas e crônicas;

  • Ampliação do acesso à fisioterapia, reabilitação física e reumatologia;

  • Definição clara de fluxos de encaminhamento para casos complexos;

  • Avaliação adequada de incapacidades para readaptação ou afastamento profissional.



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