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Estima-se que 250 empresários da Cafezais já possuem posse legal de armamento por medo de assaltos

  • há 4 horas
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Polícia Militar passando na Avenida dos Cafezais, na sexta-feira (Foto: Juliano Almeida)
Polícia Militar passando na Avenida dos Cafezais, na sexta-feira (Foto: Juliano Almeida)

Comerciantes da Avenida dos Cafezais, em Campo Grande, têm recorrido ao armamento legal como alternativa de segurança diante da sensação de vulnerabilidade e do histórico de crimes na região. A presença de um estabelecimento especializado no local, a J&S Despachante Bélico, facilitou o processo de regularização da documentação para empresários e moradores do bairro. Segundo o proprietário da loja, Jorge Salomão, cerca de 250 pessoas na avenida já adquiriram armas de fogo.


De acordo com Salomão, a presença de cidadãos armados atua como um fator de inibição contra investidas criminosas. No entanto, não há dados oficiais de segurança pública que confirmem uma relação direta de causa e efeito entre a posse de armas por parte dos lojistas e a variação nos índices de criminalidade local. O empresário destaca ainda que a orientação dada aos clientes é utilizar o equipamento estritamente para coibir agressões, e não para provocar confrontos.


A experiência com a criminalidade levou comerciantes como George Lucas, de 32 anos, a mudarem de postura. Proprietário de um restaurante na avenida há uma década, ele decidiu buscar a regularização de uma arma após ter o estabelecimento invadido por três homens armados com faca durante o encerramento do expediente. Lucas avalia que, embora o trabalho da Polícia Militar seja fundamental, as equipes não conseguem cobrir todas as ocorrências simultaneamente. Ele ressalta, contudo, que o treinamento técnico e psicológico exigido para a posse enfatiza a prevenção e o uso da arma apenas em último caso.


A decisão de armar-se não é unanimidade entre os empresários do corredor comercial. Aleixo Larrea, comerciante estabelecido há dez anos no local e que já enfrentou cinco assaltos, optou por investir em sistemas de alarme. Mesmo tendo sido vítima de roubos posteriores à instalação dos equipamentos, Larrea demonstra resistência à ideia de adquirir um armamento, defendendo que a solução ideal passa pelo reforço do policiamento ostensivo na região, embora admita reavaliar a possibilidade diante da insegurança constante.


Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PM-MS) informou que realiza patrulhamento preventivo contínuo na Avenida dos Cafezais, com viaturas monitoradas em tempo real e rondas planejadas conforme a mancha criminal. A corporação reforçou que chamados de emergência devem ser feitos pelo 190 e denúncias pelo 181. A PM ressaltou também que os processos de posse e porte de armas são de responsabilidade da Polícia Federal e que a observância das exigências legais é indispensável, lembrando que a posse ou o porte irregular constituem crimes previstos no Estatuto do Desarmamento.


Estatísticas oficiais apontam comportamentos distintos para as modalidades criminosas na região. Comparando os primeiros semestres de 2022 e 2026, os registros de roubo na Avenida dos Cafezais caíram de 9 para 1 ocorrência. Nos bairros do entorno — Centro Oeste, Jardim Paulo Coelho Machado e Jardim das Macaúbas —, as ocorrências de roubo recuaram 61,7%, caindo de 34 para 13 casos. Por outro lado, os furtos na avenida apresentaram elevação, subindo de 30 para 43 registros no mesmo período, enquanto na soma dos três bairros houve uma pequena variação, passando de 149 para 140 casos.


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