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Após receber R$ 7 milhões, Fiems organizou evento com ministro e empresários em resort de Bonito

  • 8 de jun.
  • 4 min de leitura
Com recursos do Prodesenvolve, Fiems de Longen fez evento para empresários em Bonito. (Fiems, Divulgação)
Com recursos do Prodesenvolve, Fiems de Longen fez evento para empresários em Bonito. (Fiems, Divulgação)

Evento luxuoso reuniu empresários e executivos com recursos do Prodesenvolve, da Semadesc


Um mês após ‘cair na conta’ o valor de R$ 7 milhões do programa Prodesenvolve, em convênio articulado por Jaime Verruck (Republicanos), a Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) promoveu evento em resort de Bonito — a 296 km de Campo Grande.


Chamado de Fórum Empresarial MS Summit Bonito, o evento contou com a presença do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que cobra cerca de R$ 50 mil por hora, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo.


O ex-diretor da Fiems e pré-candidato a deputado federal, Jaime Verruck, esteve presente no evento realizado com recursos que ele mesmo liberou enquanto chefiava a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). Verruck atuou como braço direito de Sérgio Longen no sistema S, atuando como diretor corporativo.


O evento foi realizado em um luxuoso espaço, com 308 metros quadrados e auditório com capacidade para 300 pessoas.


Além disso, a Fiems convidou a CNI (Confederação Nacional da Indústria) para realizar uma reunião de diretoria. Houve ainda palestra do diplomata e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento — o Banco dos BRICS —, Marcos Troyjo.


A reportagem questiona desde quarta-feira (3) a Fiems para esclarecer os gastos provenientes do Programa Prodesenvolve, mas não obtivemos retorno.


Responsável pelo convênio, a Semadesc enviou nota, por meio da assessoria do governo do Estado, afirmando que a Fiems presta contas sobre os valores gastos com o convênio, mas não revelou detalhes. Veja a nota na íntegra:


“Convênio em questão cumpre todos os requisitos previstos em lei e descritos no Plano de Trabalho. A prestação de contas segue estritamente o rito determinado pelos órgãos de controle, com total observância dos princípios da transparência e legalidade, com objetivo de promover as potencialidades de Mato Grosso do Sul a investidores e atrair capital privado para o fortalecimento do desenvolvimento do estado, montante que apenas nos últimos anos no setor industrial ultrapassou R$ 80 bilhões em investimentos, e a geração de milhares de empregos, tornando MS destaque nacional na criação de oportunidades e renda, bem como nos números de empregos gerados e mobilidade social.“

O gabinete do ministro André Mendonça não respondeu sobre os custos de hospedagem e passagem bancados pela Fiems, mas negou que o ministro tenha cobrado para palestrar: “O Ministro André Mendonça não recebeu remuneração pela participação no evento“, limitou-se a dizer, em nota.


A CNI também foi procurada para esclarecer sobre os custos do evento, mas não emitiu posicionamento até esta publicação.


O espaço segue aberto para manifestações.


Convênio de R$ 7 milhões

O convênio de R$ 7 milhões liberado pela Semadesc faz parte do programa Prodesenvolve e dá autonomia para a Fiems contratar fornecedores e realizar “ações organizadas de promoção econômica” do Estado.


O recurso foi empenhado no dia 6 de abril, mas a publicação com assinatura de Verruck e Longen ocorreu no dia 10 de abril. Depois, dia 13, novo diário oficial republicou o convênio, substituindo a assinatura de Verruck — exonerado dia 1º de abril para disputar as eleições — pela de seu substituto, Artur Falcette.


A liberação integral dos R$ 7 milhões ocorreu de uma só vez, no dia 29 de abril, e foi criticada na Alems pelo deputado João Henrique Catan (Novo).


 “Em menos de 19 dias, empenhou, liquidou, faturou e pagou para Fiems e mentiram para vossas excelências. O que está acontecendo?”, exclamou.

Ao falar sobre a agilidade da Semadesc em repassar o dinheiro público para a Fiems, Catan chamou o convênio de ‘remendo da Fiems’: “É mais do que uma emenda, é um remendo da Fiems. Não é estranho empenhar o valor no dia 6 e no dia 19 pagar? Isso só aumenta a suspeita de que há algo de errado”, concluiu.


Pesquisa eleitoral

Conforme os dados oficiais, a Fiems recebeu R$ 7 milhões, de forma integral, no dia 29 de abril. Menos de um mês depois, em 24 de maio, contratou um instituto de pesquisa, pelo valor de R$ 76 mil, para realizar pesquisa eleitoral para governador e senador.


Antes disso, na sessão do dia 23 de abril, em que deputados analisaram requerimento que cobrava explicações da Semadesc sobre o convênio, o autor do pedido, deputado Pedro Kemp (PT), estranhou a rejeição do requerimento: “Só reforça a suspeita que temos de que esse convênio pode ter outras finalidades. Me acho no direito de fazer suspeitas em cima desse contrato. É dinheiro para campanha eleitoral? Se não, então aprovem meu requerimento”, exclamou.


O próprio Catan já havia levantado a suspeita no plenário após a mobilização de governistas contra o requerimento: “Vai ser contratada uma empresa terceirizada — está no requerimento do senhor, por isso não vai ser aprovado hoje —, que vai pegar R$ 7 milhões, vai pôr no bolso e vai passar para a campanha de alguém”, afirmou na ocasião.


A Fiems também não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre suposto uso de dinheiro público para contratar pesquisa eleitoral.


Fonte: Midiamax

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